Thursday, September 20, 2007

UM BRASIL SEM DEFESA

O Ministro da Defesa Nelson Jobim fez mais uma. Pediu o cargo do Gen Ex Santa Rosa, Secretário de Política e Estratégia e Assuntos Internacionais (SPEAI) do MD. Corre entre o pessoal do Ministério que a situação pegou todos de surpresa. O articulista Lorenzo Carrasco, do site Alerta em Rede, já no dia 16/09, publicou artigo “A Batalha de Roraima”, no qual falava sobre o afastamento do General Santa Rosa usando verbos no pretérito perfeito. Para substituir Santa Rosa, Jobim designou o general ex Barros Moreira (aquele que convidou João Stédile para dar palestra na ESG), que assumirá oficialmente a função hoje, dia 19 de setembro.

As coisas estão meio estranhas no ministério da defesa. No último dia 6 de setembro, Jobim havia pedido o cargo do Gen Ex R1 Bini - Secretário de Estudos e Cooperação do MD – ao extinguir aquela Secretaria, para transformá-la na Secretaria de Aviação Civil (SAC) e colocar uma civil na função. Na verdade, como se sabe, a Anac não foi extinta e
Jobim acabou indicando Solange Paiva Vieira para a presidência da agência - cargo que será disponibilizado pelo atual presidente, Milton Zuanazzi.

O motivo da exoneração do General Santa Rosa gira em torno de seu posicionamento
contrário à livre e não fiscalizada atuação de Ong(s) estrangeiras na Amazônia e por discordar do emprego de tropas do Exército para colaborar com a Polícia Federal em mega operação para expulsar da reserva indígena Raposa da Serra do Sol, em Roraima, os irmãos brasileiros não-índios que vivem por lá – alguns deles descendentes de famílias que já viviam na região há mais de 50 anos. O General Santa Rosa justificava sua posição quanto ao perigo desta ação da PF, afirmando que haveria sérios riscos de uma reação armada por parte dos moradores daquela região caso a operação se realizasse.

A posição de Santa Rosa é respeitada - corre no Ministério da Defesa que todos os que estudam o assunto dizem que a avaliação estratégica feita para a ação era de extrema gravidade e que o desfecho seria muito drástico, com cheiro de sangue. Já em abril do ano passado, o jornalista Cláudio Humberto anunciava em sua coluna diária na internet que ia “
dar confusão”: “O Exército prevê um grave conflito entre brancos e índios, insuflados pelos padres da ONG Consolata. Eles premiam com dinheiro os índios da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, que não falam com brancos.”

Roraima é uma mina de preciosidades – entre outras, ouro, diamantes e urânio. Logo após o assento do PT no poder, com o presidente LULA eleito, o governo criou a reserva Raposa-Serra do Sol, em 2005. Na época, muitos dos próprios índios se rebelaram, pegaram em armas e fizeram policiais federais como reféns, EXIGINDO o cancelamento do decreto que criava a tal reserva. Ora, se até muitos dos índios eram contra, deveria haver outros interesses por trás da criação da reserva. Já em 2003, o general pára-quedista Claudimar, comandante da região, foi até dentro do que hoje é a reserva Raposa Serra do Sol retirar uma bandeira estrangeira hasteada na região: "tira essa bandeira. Isso aqui é Brasil!", disse o general a um cidadão, que respondeu: "General, não vou tirar, porque aqui é de quem paga". O general trocou a bandeira estrangeira pela brasileira. Mas, soube que depois recolocaram a bandeira estrangeira.

O conflito na região da Raposa Serra do Sol em Roraima não é fácil de resolver e há muitas questões a ser consideradas. A região é um território de 1,7 milhão de hectares habitado por 15 mil índios de cinco etnias diferentes e por cerca de 700 não-indígenas. Estes e os militares como o general Santa Rosa defendiam uma nova configuração para a reserva, onde seria preservada uma faixa da fronteira, que incluiria a estratégica cidade de Uiramutã, sede do Sexto Pelotão de Fronteira do Exército, e as plantações de arroz. A Funai e as Ong(s), é claro, não concordam – e, afinal, acabaram conseguindo o que queriam, com a homologação das Terras Indígenas da Raposa Serra do Sol feita pelo governo Lula, sem a restrição da faixa de fronteira. Mas, a retirada das famílias da região é complicada e muitos dos que aceitaram de lá sair, até hoje, não receberam as indenizações prometidas pelo governo federal. (Entendam o problema
AQUI).

Há toda uma sincronia de fatos perfeitamente coordenada para isolar a Amazônia do território brasileiro. O problema é que, em relação a este tema, o discurso fanático-nacionalista se confunde com o discurso comunista que, por sua vez, está intimamente relacionado com o dos partidários do governo mundial – teorizado sob o olhar ditatorial do pleno controle sobre os indivíduos, transformando sua própria natureza humana. Nenhum deles poderia conduzir o Brasil a um papel participativo no cenário mundial globalizado, em que seriam realmente beneficiados todos os brasileiros. Não entrarei nesse assunto agora, mas vou destacar apenas os três últimos fatos que ajudam a identificar essa sincronia mantenedora artificial de nosso subdesenvolvimento.

Primeiro, a implementação da Lei de Gestão de Florestas que, entre outras coisas, criou o Serviço Florestal Brasileiro (SFB). O serviço, criado para supostamente agilizar os processos de licenciamento que costumam entravar obras de infra-estrutura vitais para o País, até agora, não licitou um hectare sequer de floresta. Entretanto, seu presidente, Tasso Azevedo, que é partidário da corrente internacional que pensa que a preservação da Floresta Amazônica é tarefa de várias nações, já propôs que os países desenvolvidos “ajudem” o Brasil a preservar a Amazônia, pagando uma espécie de “merreca” aos moradores da região para manter a floresta de pé (Commodity é outra coisa – com a qual, aliás, já há gente graúda ganhando dinheiro).

Segundo, em sintonia, a ministra do meio-ambiente Marina Silva,
protegida pelo poderoso aparato ambientalista internacional, conseguiu que fosse regulamentada a cobrança de uma extorsiva taxa de 2% sobre o valor de qualquer empreendimento que provoque danos ambientais na Amazônia. O dinheiro arrecadado será utilizado para criar mais de 20 milhões de hectares em unidades de conservação até o final do segundo mandato de Lula – ou seja, estaremos eternamente no berço esplêndido do subdesenvolvimento, para o regozijo daqueles que vendem a pátria para passar o resto da vida desfrutando das fortunas que conseguiram juntar.

O terceiro fato ocorreu há 6 dias apenas, no dia 13 de setembro de 2007. Foi a
aprovação, na ONU, da declaração de direitos dos índios, na qual constam princípios como a igualdade de direitos e a proibição de discriminação, o direito à autodeterminação e a necessidade de fazer do consentimento e do acordo de vontades o referencial de todo o relacionamento entre povos indígenas e Estados. A declaração já aguardava aprovação final da Assembléia Geral da ONU desde novembro de 2006, mas um grupo de países africanos apoiados por Estados Unidos e Canadá levantou objeções quanto ao alcance de termos como “povos” e “auto-determinação”, argumentando que haveria o risco de criar divisões e conflitos étnicos, bem como ameaça às fronteiras dos países. Agora, em 2007, a Declaração foi definitivamente adotada pela ONU - foram 143 votos a favor, 11 abstenções e 4 votos contrários (Estados Unidos, Nova Zelândia, Canadá e Austrália).

De fato, de acordo com seus principais pontos (clique no quadro ao lado), a declaração da ONU sobre os direitos dos povos indígenas transformou em realidade a possibilidade de criação de nações indígenas, totalmente independentes, dentro dos países onde elas existam – inclusive dando recursos legais para isso. Não há espaço para dúvidas e/ou ponderações, principalmente no caso do Brasil, ao se associar esta declaração da ONU com o nosso
Estatuto do Índio. O Brasil dispõe de 600 reservas indígenas, que ocupam 12% do território nacional (991.498 km2, segundo o IBGE), onde vivem cerca de 345 mil índios (0,2% da população brasileira), agrupados em 215 sociedades indígenas.

E o que tudo isso tem a ver com a exoneração do general Santa Rosa do cargo de Secretário de Política e Estratégia e Assuntos Internacionais? Tudo. Santa Rosa é o homem que induziu autoridades brasileiras a pedirem a criação de uma CPI para investigar as Ong(s) instaladas na Amazônia – todas denunciadas por ele como espiãs e traficantes, além de drogas, de nossas riquezas e que, ademais, pretenderem retirar do controle do Brasil as terras indígenas. Mas, o discurso de Santa Rosa é desenvolvimentista. Já o de seu sucessor, o general Barros Moreira, é antiimperialista. São pontos de vista diferentes – acreditem.

Muito resumidamente, o discurso antiimperialista confunde a atuação do governo dos EUA com a dos oligopólios transnacionais que atuam, muitas vezes, através do próprio Estado norte-americano, mas, quase sempre e inclusive, destruindo aquela nação por dentro, visando à formação de um novo governo mundial – socialista (ou capitalista de um dono só) e ditatorial por excelência. Já o discurso desenvolvimentista procura separar o joio do trigo e busca parcerias, inclusive com os próprios EUA, que coloquem o Brasil nas trilhas do Primeiro Mundo.

Christina Fontenelle
19/09/2007

5 comments:

  1. Agora eu quero ver os petralhas dizerem alguma coisa.

    SERÁ QUE ELES NÃO PERCEBERAM QUE FHC E MULLA SÃO OS DOIS OFICIAIS DO ENTREGUISMO DO BRASIL E QUE IDEOLÓGICAMENTE SÃO IRMÃOS GÊMEOS?

    O Exército vai ter que tirar esse governo e isso precisa de clamor popular. Se 15 caras pintadas produzidas pela Globo foi o motivo para tirar Collor, e isso? A depenação do Brasil como se fosse carro em ROUBAUTO?????

    PELO AMOR DE DEUS!

    Eu não sou mais católico, tenho nenhuma religião, SOU LIVRE, ESSES FILHOS DAS PUTAS DEVEM SER DESMASCARADOS NA FRENTE DOS FIÉIS!

    Não dêem dízimos, não dêem ofertas, temos que secar a igreja católica que traiu a todos os fiéis de forma satânica!

    A Língua!

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  2. Este governo entreguista e socializante está caminhando na direção do objetivo a passos largos...E onde estão as inteligências nacionais que não mobilizam a população contra o crime de lesa pátria? Fragilizaram as Forças Armadas que sempre foram guardiãs dos interesses da nacionalidade e respondiam na hora certa. Detonarm com as atividdes políticas instituindo o mercenarismo e o descrédito do Congresso. Continuam dando as cartas. Até quando?

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  3. Postei um texto sobre o assunto Raposa Serra do Sol em 15 de agosto deste ano. Já está tramitando nas sombras do Planalto a extensão dessa homologação abrangendo a área que faz fronteira com a Venezuela incluindo o município de Pacaraima, uma cidade com milhares de pessoas que se estabeleceram com seus comércios , e estrategicamente um ponto sensível no tráfico que rola na região. O episódio das baneiras foi com uma ONG holandesa. Vou divulgar esse texto na minha lista e na comunidade Fora Lula, com 200 membros.
    Um abraço

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  4. Corrigindo: A comunidade tem 200 mil membros

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  5. Né por nada não, mas o texto da Rebecca Santoro está passeando pela net, mas contém inúmeras imprecisões, por exemplo ao citar que o nióbio suportar altas temperaturas, mas é o tungstênio o que mais suporta calor (3000°C).

    Ademais a máquina de fusão nuclear é uma lenda dos livros e filmes de ficção científica, pq temperatura 6 vezes acima das contidas no sol derreteria o planeta ou o tornaria inabitável antes da máquina ser útil. Vênus é por exemplo quente demais para a vida de seres como nós e nem está colado no sol; imagina se tivéssemos um 6x mais quente em nosso solo?

    Outro erro: não se usa átomos simples de hidrogênio, mas apenas trítio e deutério são usados na fusão nuclear para gerar hélio - e isso só ocorre no interior de estrelas a 100 mil graus - e o resultado é realmente gás hélio, mas dificilmente seria inócuo porque TAMBÉM estaria a 100 mil graus.

    De resto, todo o texto parece uma lenda urbana cheio de detalhes alarmistas, mas poucas evidências realmente conclusivas para o que ele alarma. Além do principal: erros grosseiros sobre o assunto que trata - coisa que mesmo um não especialista como eu, pode perceber, imagina um físico.

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